Comunicação oral, SIMPOM, 2014

A atividade de Tom Zé durante o ostracismo: experimentando às margens da grande indústria

Este trabalho apresenta resultados parciais da pesquisa de mestrado intitulada “Vocação vanguardista em meios racionalizados: A carreira artística de Tom Zé a partir de 1968”. Estabelecendo como foco central a atividade artística de Tom Zé realizada durante o seu longo período de ostracismo, situado entre os anos de 1973 e 1990, procuramos aqui compreender melhor as especificidades de sua inserção no mercado, bem como investigar as novas mudanças no seu projeto estético. Após ter radicalizado os experimentos poéticos e musicais e ter tensionado certos referenciais estéticos hegemônicos no LP Todos os Olhos (1973), Tom Zé se distanciava da cena artística oficial e passava a atuar em espaços alternativos de menor visibilidade. Devido à postura contrária a certos padrões culturais dominantes e às suas práticas criativas, consideradas ousadas, transgressoras e herméticas pela crítica especializada, acabou recebendo o rótulo de cancionista “marginal” ou “maldito”, junto de outros artistas, como Jards Macalé, Jorge Mautner, Walter Franco, Marcus Vinicius, entre outros. Nesse sentido, procuramos problematizar as relações entre as opções estéticas de Tom Zé, sua forma de atuação no mercado do período e o segmento conhecido como cultura marginal – identificando afinidades, diferenças e mediações estabelecidas entre as duas partes. Com base em discursos presentes em matérias publicadas em periódicos, investigamos também o sentido da ação de Tom Zé ao desenvolver uma pesquisa performática de timbres e sonoridades inusitadas com ferramentas, máquinas de oficinas e sons oriundos da execução de fitas magnéticas manipuladas através de equipamentos eletrônicos, bem como as possíveis razões de tais decisões estéticas.

The Activity of Tom Zé during the Ostracism: experimenting at the Margins of the Major Industry

This paper presents partial results of the master degree research entitled “Vanguard vocation in rational means of the cultural industry: the artistic career of Tom Zé from 1968 on”. Establishing a central focus on the artistic activity of Tom Zé during his long period of ostracism, situated between 1973 and 1990, we seek to better understand the specifics of his insertion into the market, as well as investigating the new changes in his aesthetic project. After Tom Zé have radicalized the poetic and musical experiments and have tensioned certain hegemonic aesthetic references in the LP Todos os Olhos (1973), he distanced himself from the “official” artistic scene and started to act in alternative spaces with lower visibility. Due to his contrary posture to certain dominant cultural patterns and due to his creative practices, which were considered daring, transgressive and hermetic by specialized critics, Tom Zé started being marked as “marginal” on the following years, together with other artists, such as Jards Macalé, Jorge Mautner and Walter Franco. Considering this association, we intend to problematize the relationship between the aesthetic options of Tom Zé, his manner of acting within the market in the period and the segment known as “marginal culture” - identifying similarities, differences and mediations established between the two parts. Based on discourses present in articles published in periodic, we also investigated the sense of action of Tom Zé, when he developed a musical experimental research of timbres and unusual sonorities with tools, workshop equipment and sounds derived from the execution of magnetic tapes, manipulated through electronic equipment, as well as the possible reasons for these aesthetic decisions.

CategoriaSIMPOM
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IdiomaPortuguês
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TipoComunicação oral
CódigoSIMPOM2014C49
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